MENSAGEM DE BOAS VINDAS

Que Dia e Que Horas São

terça-feira, 28 de setembro de 2010

TRABALHO SOCIAL


Todo Grupo de Teatro, deve fazer um pequeno trabalho social e agora é a nossa vez, por isso estaremos neste sábado às 14h00 no Abrigo São Vicente em Ilhéus apresentando o Espetáculo Repouso do Adonis - A Comédia Nordestina; a Apresentação será para o divertimento dos "meninos e meninas", que estão morando lá e muitas vezes são abandonados pelos seus familiares, e isto depois de longos anos de Dedicação, amor e Carinho para com os seus entes queridos. Mas se alguém que não seja de lá quiser ir assistir, não se acanhe não... Pode ir, Valeu???

APRESENTAÇÃO DO DIA 21 DE SETEMBRO


Queremos agradecer a todos que estiveram nesta terça (21/09) assistindo a mais uma peformace do Grupo de Teatro do Pranto ao Riso, na ilariante apresentação do Espetáculo *Repouso do Adonis - A Comédia Nordestina*. Dadá, Prazeres e demais Personagens mostraram toda a sua irreverencia, numa história que leva público a morrer de tanto rir. Estamos contando com vocês nas próximas apresentações. "O Nosso Sucesso é a Presença de Vocês"!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

NOVA APRESENTAÇÃO!!!



É isso mesmo...

A Grande Comédia Nordestina, o Espetáculo *Repouso do Adonis*, com a Autoria de um cabra Norte-Rio Grandense, chamado Paulo Jorge Dumareq e com um outro cabra, só que Baiano na Direção, chamado Paulo Costa e um grande Elenco estará sendo Apresentado no Palco do Teatro Pedro Mattos - Casa dos Artístas, aqui no município de Ilhéus. Infelizmente, será uma unica Apresentação às 20h00. Porem pessoal, não tem motivo pra tristezas, pois poderemos ainda ter mais 03 apresentações em outubro. Vamos aguardar!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SUCESSO TOTAL



Foi apresentado nos dias 21 e 28 de agosto de 2010 mais quatro apresentações às 15h00 e 20h00 deste Espetáculo que está fazendo um grande sucesso em nossa Cidade! O Espetáculo Repouso do Adonis, Desta vez o Teatro contemplado foi o Pedro Mattos na Casa dos Artístas, que fica aqui em Ilhéus. O Grupo de Teatro Agradece o empenho de todos: Atores e Funcionários da Casa. Apesar da desistência não perdemos o nosso brilho. Agora é só aguardar o próximo a receber a *Verdadeira Comédia Nordestina*, que tem a Autoria de um dos grandes teatrologos: Paulo Jorge Dumaresq e a Direção do Genial Paulo Costa!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

AGRADECIMENTO ESPECIAL

Queremos agradecer ao Diretor Ednilton Paixão (FOTO), pelos maravilhosos momentos com os exercícios que o mesmo fez com os nossos atores para as apresentações dos dias 21 e 28 de agosto no Teatro Pedro Mattos na Casa dos Artístas em Ilhéus - BA. Vlw meu REI

MOMENTOS DA MONTAGEM - Sem Legenda


MOMENTOS DA MONTAGEM IV - Sem Legenda

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SLIDE: CURTAM ALGUNS MOMENTOS DO NOSSO ESPETÁCULO!


Aqui está um Slide pra você curtir alguns momentos do Espetáculo Repouso do Adonis, que teve a sua estreia no dia 14 de junho de 2010 às 15h00 e 20h00 no Teatro Municipal de Ilhéus. Divirtam-se!

video

quinta-feira, 17 de junho de 2010

FINALMENTE A ESTREEEEEEEÉIA!!!


É assim que tudo começa... Nossa que bagunça... Tô nem aí, não sou eu mesmo quem vai arrumar mesmo!!!


Está certo... Malandro é malandro... Mané é mané... Quanta reverência, ou melhor, Quanta falcidade!

E parece que ele também não... Chi... Vai sobrar prá alguem!!! Segura a pancada Prazeres (Stephanie Bispo)!

Finalmente resolveu trabalhar... Pensou que ía ficar na molez é... BONITÔNA... do mangue!!!! Kkkkkkkkkkkk!!!

Nas que Casal lindo gente... A dama e o Vagabundo.... Kkkkkkkkkkkkkkk!!!!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O RETORNO DO REPOUSO DO ADONIS

Nesta cena, Sevé(André Araújo) Prazeres(Stephanie Bispo); Gloria (Paulo Henrique) e D. Violeta (Luneide Vixctório)

GRANDE SUCESSO: O RETORNO DO REPOUSO DO ADONIS

Após 04 anos desde a sua última apresentação, o Espetáculo *Repouso do Adonis, voltou com força total ao Palco do Teatro Municipal de Ilhéus, nesta segunda-feira(14/06), o público não se limitou a sorrir com as peripécias de: Sevé, Dadá, Prazeres, D. Violeta, Delegado Antão, Glória, D. Socorro, Cosme e uma turma de Funcionários da Loja de Material de Constução!

A Turma do Grupo de Teatro do Pranto ao Riso, também não se importou de dar vida a estes personagens, com uma destreza muito empolgante, deram vida a estes personagens, onde encantaram o público e honraram o nome do Pranto ao Riso, isto é, Eles chegam ao teatro chorando e saem sorrindo.

Mas se preparem pois em julho o Repouso do Adonis estará de volta, com mais força ainda, principalmente porque poderemos estar participando do V Festival Multi Arte em Itabuna. A todos que estiveram na estréia, esperamos contar também com o retorno de vocês! Obrigado pela presença!

terça-feira, 8 de junho de 2010

RELIASE DO ESPETÁCULO - Finalizado!




O ESPETÁCULO: A trama em Ato Único, distribuído em 29 Cenas, será apresentada pelo GRUPO DE TEATRO DO PRANTO AO RISO no próximo dia 14 de junho de 2010 às 15h00 e 20:00h., no Teatro Municipal de Ilhéus em Ilhéus-BA. A Comédia Nordestina já teve diversas apresentações em diversos lugares, tais como: Universidade Estadual de Santa Cruz, Casa dos Artistas, Centro de Cultura Adonias Filho (Itabuna-BA) e Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães e já foi assistida por muitas pessoas. A HISTÓRIA: A mesma se passa numa pequena cidade do interior Nordestino, durante os anos noventa. O bordel por sua vez foi construído nos anos cinqüenta, nunca passou por uma reforma e sempre com os mesmos móveis.

OS PERSONAGENS
: São os seguintes: Seve um malandro que só pensa em se dar bem, e participa na solução do principal problema de D. Violeta que tem sua sobrinha Glória assediada, pela principal “Autoridade”, O Delegado Antão. Seve conta com seu Amigo Cosme que se faz passar por Glória, para desmascarar o delegado e arrumar uma tremenda confusão com D.Socorro, sua “adorável esposa” e seus filhos. Participam ainda da trama, a principal as prostituta Prazeres e Dominique do bordel, Dada um misto de prostituto e empregado doméstico e ainda dois Funcionários de uma loja de Material de Construção.

O ELENCO
: André Araújo Sevé; Anderson Suke Delegado Antão; Deco Cajaíba Cosme; Lucineide Victório D. Violeta; Maurício Lima Dadá; Násio Santana I Funcionario; Paulo Henrique Glória; Stephanie Bispo Prazeres e Waneza Rodrygues D. Socorro.
E ainda: Ariele Corrêa; Paula Patez e Rômulo Santóro.

O GRUPO:
Fundado aos vinte e dois dias do mês de setembro no ano de dois mil e três, o Grupo de Teatro do Pranto ao Riso, vem durante este período sendo agraciado por alunos da Rede Pública de Ensino do Município de Ilhéus. Entre outras palavras, este grupo é um verdadeiro descobridor de Talentos Artísticos – Educacionais em nosso município. Idealizado e Dirigido por um jovem ator, Paulo Costa, já contou em suas apresentações com alunos de quase todas as escolas do Município. Também podemos contar algumas participações em Eventos no nosso Município, como: A Semana de Cultura e Arte Jorge Amado, Dia da Cidade e Semana do Ancião no Abrigo São Vicente de Paulo. Como Apresentações Individuais temos alguns Espetáculos: A Mulher da Língua Grande e o Pedreiro Lobisomem; A Vaca Sagrada; Repouso do Adonis; Pequena História do Brasil-502 anos em 52 minutos. Quanto aos Locais destacaremos: Em Ilhéus: Auditório do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães; Auditório Paulo Souto Uesc; Espaço Cultural em frente ao TMI; Teatro Municipal de Ilhéus e o Teatro Pedro Mattos na Casa dos Artistas. Em Itabuna: Centro de Cultura Adonias Filho.

O DIRETOR
: Nasci aos vinte e oito dias do mês de fevereiro no ano de mil novecentos e sessenta e nove, na cidade de Ilhéus, uma pequena cidade do sul da Bahia. Residindo até os primeiros dez anos, cursei até a segunda série primária, no Grupo Escolar Antônio Sá Pereira - hoje, Colégio Estadual Antônio Sá Pereira. Dos dez até os vinte anos de idade, residi na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, onde cursei da Terceira série primária, até a oitava ginasial. Parei meus estudos durante sete anos aproximadamente; aos vinte e seis residindo na minha cidade de origem conclui meu segundo grau. Aos catorze anos, ainda residindo na cidade de Vitória, fiz a minha primeira Oficina de Teatro, não me lembro o nome, pois o mesmo não me deu tanto apoio, por isso também não levei muito a sério e desisti. Em 1993, ou seja, aos vinte e quatro anos de idade, fiquei sabendo que um certo Pawlo Cidade iniciara uma Oficina de Teatro no auditório de uma escola (Instituto Municipal de Ensino - Eusínio Lavigne), me empolguei tanto com a idéia que resolvi pedir-lhe uma oportunidade, imaginei que seria necessário implorar, porém não foi. Seu nome mesmo é: João Paulo Couto Santos, formado em Pedagogia, pela Universidade Estadual de Santa Cruz(Uesc), o mesmo também é: Diretor; Autor e Ator de Teatro. Continuo ainda fazendo alguns trabalhos com ele, porém as Oficinas só de vez em quando.

O AUTOR
: O teatrólogo e jornalista Paulo Jorge Dumaresq nasce na cidade do Rio de Janeiro a 31 de maio de 1964. Com apenas três meses de vida vem morar em Natal, onde reside até os dias de hoje. No ano de 1983 ingressa na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde cursa Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, colando grau em 1988. Depois de algumas experiências no jornalismo, Dumaresq descobre o teatro e daí passa a escrever suas primeiras peças. Com dificuldade de encontrar um diretor que pudesse encenar seus textos, o dramaturgo resolve, por si mesmo, dirigi-los. Para isso, funda a Companhia de Repertório Do Riso ao Pranto. A estréia ocorre em outubro de 1993, com o espetáculo Bocas que murmuram, merecedor de duas montagens. Nesse mesmo ano, Dumaresq dirige ainda um esquete para o Supermercado São José, intitulado O Renascimento. O teatrólogo apresenta-se também no projeto Lança Poesia (FJA/TAM/1995), interpretando poemas de sua autoria. Após uma parada estratégica, Paulo Jorge Dumaresq retorna à cena com o espetáculo Os idos de março – A agonia de Júlio César, em abril de 1997. Em 1998, dirige o monólogo Jorges – A poesia de Jorge Fernandes no palco. Com esse trabalho obtém dez prêmios nacionais, inclusive o de Melhor Direção no III Festival de Monólogos de Marília. Nesse mesmo ano, também dirige o recital Palavras, palavras, palavras do poeta potiguar Dácio Galvão. No ano 2000, Paulo Jorge Dumaresq remonta Os idos de março, em versão monólogo, e ganha mais dois prêmios no IV Festival de Monólogos de Marília. Dramaturgia: Repouso do Adônis (comédia – 1991). Bocas que murmuram (tragicomédia – 1992). * A fé controversa (drama – 1993). Viúvos alegres (farsa – 1994). Os patrões (tragicomédia – 1995). Os idos de março (drama – 1997). * Jorges – A poesia de Jorge Fernandes no palco (monólogo de poemas – 1998). * Papo-amarelo (tragédia – 1999). Com um rei na barriga (farsa – 2001).

* Contatos para Apesentação Especial
Paulo Costa
(73) 8838-6601 / 9995-0484

sábado, 29 de maio de 2010

LABORATÓRIO TEATRAL - Isto é Nescessário? O Início!



Este trabalho parte de um estudo de caso para estabelecer alguns aspectos que norteiam a realização de Laboratórios Experimentais em Teatro. Com base na experiência do Laboratório Experimental A interpretação melodramática nos circos-teatros (UFU/ Uberlândia/MG, 2003.1), disseca analiticamente as etapas deste procedimento metodológico, ressaltando sua importância como ferramenta de investigação da cena e como elemento propulsor de experiências pedagógicas no campo teatral.


Os laboratórios experimentais se configuram como recurso metodológico fundamental nas pesquisas que vêm sendo realizadas no âmbito do Grupo de estudos sobre o teatro cômico.1 Sua premissa é de que parte da investigação teatral, centrada em perspectivas teóricas, se dá por meio de exercícios práticos, de cena ou de formação. No entanto – e esse dado é imprescindível para a compreensão do lugar que tais propostas ocupam –, trata-se de experimentação laboratorial que propõe uma investigação específica, norteada por minucioso planejamento e que não resulta, necessariamente, em montagem ou exercício público.

Não se trata de negar o papel da recepção no exercício da cena, aspecto que em vários momentos torna-se fundamental também para as análises engendradas no laboratório, mas, sim, fazer com que elementos externos à investigação e inerentes a uma peça não desviem o olhar do pesquisador. Por exemplo, detalhes como cenário, figurino ou música, devem ser pensados no caso de ter relação direta com a investigação. Pode-se citar a experiência do Laboratório Experimental A interpretação melodramática nos circos-teatros, (UFU/ Uberlândia/MG, 2003.1),2em que se pretendiam resgatar aspectos que colaborassem no modo de interpretar presentes no circos-teatros brasileiros, nas décadas de 1970 e 1980. Durante todo o processo foi delimitada a área de representação, com base na dimensão fornecida por Vargas (1981: p. 102), de aproximadamente quatro por sete metros. Operou-se aí uma escolha. A confecção de telões, além de extremamente trabalhosa, pouco colaboraria com o eixo da investigação. A visualização por parte dos atores mediante fotografias caracterizava-se como medida suficiente para a compreensão do espaço cênico em questão. No entanto, a delimitação da área de atuação seguiu as dimensões médias de um palco circense-teatral sugeridas por Vargas (1981), fazendo com que deslocamentos, eixos de relação entre personagens e ambientações, se circunscrevessem naquele retângulo.

1 – O plano de trabalho

Tais escolhas se dão em momento-chave da realização dos laboratórios: o planejamento. Para que os objetivos sejam alcançados, essa etapa é de importância igual à da própria realização dos laboratórios. Uma obra artística pode não requerer, em princípio, um planejamento minucioso. O fazer teatral se dá, muitas vezes, no próprio trabalho, e muitos diretores constroem seus espetáculos em processo empírico, nos próprios ensaios. Luiz Arthur Nunes (2000) diz que seu projeto de pesquisa, diretamente ligado a sua produção teatral, traz como elemento diferenciador de seu percurso anterior o exercício de registro do trabalho, por meio de relatórios e textos reflexivos. O encenador considera ainda que haja certo ajuste necessário nesse processo de navegação, entre a criação e a reflexão, e que o diretor/pesquisador deve estar atento para qual dos lados da corda pode afrouxar ou apertar.

Esclarecendo que não se trata de um movimento de valoração, pois a montagem teatral é, evidentemente, espaço precioso de investigação cênica, aflora aí uma divergência estrutural em relação aos laboratórios. A não-obrigação de resultado em montagem faz com que a pesquisa da cena possa abdicar de aspectos relacionados ao mercado. A peça teatral, mesmo quando objeto de pesquisa, demanda articulações como divulgação, busca de público, exposição à crítica – dados que podem muitas vezes acarretar desvios no percurso previamente traçado.

O primeiro aspecto norteador da elaboração do plano é a questão primordial do trabalho. O que se pretende investigar? Por que a prática cênica é fundamental para essa pesquisa? Tais perguntas orientam a seleção das fontes que permitem a organização dos exercícios. Exemplificando com a experiência do laboratório já citado, a questão-chave que o norteou foi a investigação da potencialidade de utilização séria, do melodrama, na cena atual. De acordo com o Projeto,

O objetivo de nosso trabalho é [...], por meio de tais laboratórios, confrontar essas duas formas de abordagem do melodrama, partindo da hipótese de que, com base num modo de interpretar que traz em si elementos de uma tradição, é possível instaurar momentos tanto de dramaticidade quanto de comicidade (Proposta do Laboratório Experimental Interpretação melodramática no circos-teatros brasileiros, UFU/ UNIRIO, 2003).

LABORATÓRIO TEATRAL - Isto é Nescessário? I Parte

2 – Um estudo de caso: Laboratório Experimental A interpretação melodramática nos circos-teatros

2.1 – As fontes primárias do laboratório

De posse de um rico universo de fontes relacionadas ao período em estudo, foi realizada uma primeira seleção do material, com foco na atuação dos personagens-tipo melodramáticos.

No entanto, para que os alunos/pesquisadores tivessem a oportunidade de se apropriar da linguagem e para que se pudesse ter uma leitura mais vertical, optou-se pela escolha de uma única cena a ser trabalhada ao longo do período. Para que os personagens-tipo melodramáticos pudessem ser investigados em sua plenitude, estabeleceu-se, como um dos critérios principais para a seleção da cena, o lugar que os seguintes papéis ocupam: o vilão, os apaixonados (galã e ingênua), o pai nobre, a dama-galã e os personagens cômicos.

Seqüência do tapa que o vilão dá no mocinho. Registro do 6o Encontro do I Laboratório experimental A interpretação melodramática nos circos-teatros brasileiros. UFU/Uberlândia, 2003, em 23/05/03

Na foto: Maria De Maria, Ana Carla Machado, Fernando Prado e Rodrigo Rosado.

(Foto: Brunno Ribeiro).

Os papéis ficam bastante evidentes: na primeira cena, o vilão agride o mocinho; na segunda, a mãe e o servo vão ampará-lo. Na foto: Marcelo Briotto, Maria De Maria, Fernando Prado, Ana Carla Machado e Rodrigo Rosado.

(Foto: Brunno Ribeiro).

A apresentação dos papéis em seu estado mais patético permitiria investigar como trabalhar a cena melodramática sem ironizar a linguagem. Foi escolhida, então, uma cena de Três almas para Deus (1979), de Aldny Faia. A próxima etapa do planejamento consistiu em definir de que maneira ela seria trabalhada.

2.2 – Suporte bibliográfico

É importante delimitar, para o domínio bibliográfico, quais textos serviriam de estímulo para as reflexões e para a própria atuação. Na medida em que o espaço do laboratório constituiu etapa de uma investigação maior (o exemplo que estamos averiguando foi realizado no interior de um projeto de tese), foi fundamental que a articulação entre prática teórica e prática cênica fosse de domínio de todos os participantes do processo.

Um dos objetivos do laboratório era exercitar o modo de interpretação melodramático, tendo como referência aspectos concretos que influenciaram o trabalho atorial, tais como sobrevivência, aspectos sociais, paradigmas estéticos. Para tanto, foram selecionadas algumas obras que nos deram pistas do universo circense-teatral e do conceito de modo de atuar: Vargas (1981), Sussekind (1993), Duarte (1995), Prado (1995), Silva (1996) e Rabetti (1999). Trechos significativos dessas obras foram propostos para leitura e discussão, alimentando as questões relativas à investigação prática. Em determinado momento, por exemplo, era importante trazer à tona a discussão sobre conceitos como tipo, estereótipo e papel, na medida em que os personagens que vinham sendo trabalhados estavam previamente articulados com determinadas características. Antes de pensar na construção de “Mirna” ou de “Camargo”, o ator deveria compreender que tais personagens se enquadram no papel de ingênua e vilão (respectivamente), e que demandam determinada postura em cena.

2.3 – Objetivos

Com base na questão a ser investigada e tendo o suporte bibliográfico definido, faz-se importante pensar sobre o caminho a ser percorrido, para que se pudessem atingir os objetivos pretendidos. O cronograma foi proposto mantendo-se dois eixos de percepção, um vertical e outro horizontal, ou seja, ao mesmo tempo em que se estruturaram os encontros com objetivos específicos, foi fundamental que se mantivesse o tempo todo a visão global das metas a atingir, tendo como norte o objetivo geral da proposta.

Para melhor visualização, pode ser interessante cotejar as duas propostas de laboratório que foram realizadas no mesmo projeto de tese:


I Laboratório experimental

A interpretação melodramática nos circos-teatros brasileiros (UFU/Uberlândia, 2003.1)

II Laboratório

experimental

A interpretação melodramática nos circos-teatros brasileiros: um estudo do papel do tolo (UNIRIO/ Rio de Janeiro, 2004.2)3

Objetivo

Investigar a potencialidade da parte séria do melodrama como possibilidade cênica atual

Pesquisar as partes originalmente cômicas no melodrama: o papel do niais ou tolo

Etapas

– leitura branca da cena para um primeiro contato e identificação de elementos definidores da linguagem no próprio texto

– construção de um breve repertório pessoal de gestos cômicos por meio de exercícios de exagero

– primeira atuação com a presença do ponto, sem a intenção de construção do papel

– trabalho com cenas de palhaço do circo tradicional para contato com o universo

– atuação com base na visão individual das características do papel, exagerando-se nas tintas melodramáticas

– trabalho com duas cenas: uma em que o tolo se relaciona com outros personagens cômicos e outra em que contracena com a dama-galã e a ingênua

– contato com o áudio da cena e incorporação das influências desta experiência no trabalho

- contato com o áudio da cena e incorporação das influências desta experiência no trabalho

– apresentação da cena para público

– trabalho com as cenas, abrindo-se espaços para improvisação, buscando-se a incorporação dos exercícios trabalhados

É importante destacar que cada etapa gerou uma série de reflexões e demandou determinados ajustes. No entanto, manteve-se constantemente a atenção no objetivo maior de investigação do projeto. O fato de se estar trabalhando com artistas-pesquisadores fez com que o próprio trabalho gerasse momentos de sedução em torno de descobertas de potencialidade cênica, que podiam acarretar desvios. Em ambos laboratórios os alunos expressaram o desejo de montar as peças que estavam sendo trabalhadas. Nesses momentos, o planejamento impôs-se e ocupou papel norteador.


2.4 – Registros: produção de fontes primárias

Como etapa privilegiada da pesquisa, ao articular a investigação à cena, o laboratório caracterizou-se como espaço gerador de fontes primárias. O planejamento das formas de registro dos encontros laboratoriais esteve, portanto, articulado ao projeto de pesquisa. Operaram-se aí escolhas que levaram em conta, ao mesmo tempo, as possibilidades estruturais e a dimensão de interferência que as formas de registro acarretaram para o andamento do projeto.

Um primeiro registro deve ser o relato da experiência, com base nos resultados obtidos em função do planejamento. Para nossa experiência, optamos por seguir modelo elaborado pela professora Elza de Andrade, em conjunto com a professora orientadora Beti Rabetti, na realização de seu Laboratório experimental Portas fechadas e bocas caladas: tipologias ligeiras do feminino (UNIRIO, 2003):

LABORATÓRIO EXPERIMENTAL

Portas fechadas e bocas caladas: tipologias ligeiras do feminino

Data

Alunos presentes

Alunos ausentes

Objetivos do encontro

Material teórico apresentado

Exercícios propostos

Comentários sobre os exercícios

Avaliação do objetivo

Observações finais

Formas de registro

aluno/pesquisador responsável

Vídeo ( )

Fotografia ( )

Essa planilha proporcionou movimento constante de reavaliação do percurso estabelecido, além do registro da relação entre o que foi proposto e o que foi alcançado. Sua utilização, no entanto, torna-se muito mais eficaz se o pesquisador tiver como suporte a presença de um dramaturg. O olhar de outro pesquisador qualificado minimiza a preocupação em relação à dupla função de condução do trabalho e registro constante de questões significativas para a pesquisa. Também aqui o planejamento detalhado do percurso atuou de modo significativo, pois permitiu que o dramaturg afinasse sua percepção com o objetivo primeiro do trabalho.

Além da possibilidade de diálogo com outro olhar especializado, a figura do dramaturg em processo laboratorial colabora também com o registro de imagens, atividade que requer conhecimento prévio dos objetivos do encontro, além, evidentemente, do domínio global da pesquisa, pois tais documentos passam a configurar-se como fontes primárias do trabalho. É, portanto, necessário um planejamento desse processo, para que tal material, coletado em função da investigação, traga dados importantes às reflexões. Aspectos como gestualidade, expressão facial e foco, podem apresentar-se mais nítidos a partir dessas imagens.

No laboratório que estamos analisando, o processo de registro em vídeo se deu no final de cada etapa. Trabalhava-se a cena e, ao chegar a um momento de domínio dos atores, passava-se a cena uma última vez, gravando-a. Essa opção pode parecer espelhar o conceito de produto acabado, isto é, de que o importante para a pesquisa seria o produto final – conceito que se poderia configurar paradoxal em relação ao discurso que sustenta a perspectiva investigativa dos laboratórios, compreendidos como etapa do processo. Mas é preciso considerar que, no caso dessa proposta, a visualização do percurso – em que se registram acertos e erros – dá-se de forma horizontal, ou seja, registrando-se os diversos momentos para cumprir tinham o objetivo maior, de investigar a potencialidade séria do melodrama.

2.5 – Estrutura dos encontros: consciência do percurso

O primeiro encontro teve como objetivo esclarecer, para todos os pesquisadores, a dimensão do trabalho em desenvolvimento, o conceito dos Laboratórios Experimentais e o papel que ocupam no interior da pesquisa. Tal como previa o plano de trabalho do Laboratório:

O desenvolvimento do Laboratório Experimental Interpretação melodramática nos circos-teatros brasileiros traduz-se em conjunto de atividades vinculadas a:

– Instâncias experimentais da pesquisa teórico-prática do Projeto Integrado Um estudo sobre o cômico: o teatro popular no Brasil entre ritos e festas;

– o caráter teórico-prático do projeto de pesquisa de doutorado Um estudo sobre o modo melodramático de interpretar: o circo-teatro no Brasil nas décadas de 1970 e 1980;

– perspectivas pedagógicas, de formação atorial, de ambos projetos.

(Proposta do Laboratório Experimental interpretação melodramática nos circos-teatros brasileiros, UFU, Uberlândia/ MG, 2003.1).

Dividiam-se esses encontros, basicamente, em duas etapas: uma teórica, em que eram discutidos textos propostos em função dos objetivos, e outra, de caráter prático, por meio de aquecimentos, exercícios e trabalho com a cena.

Vale abrir um parêntese e ressaltar que, a essa estrutura, foi acrescido, no segundo laboratório, um espaço para discussão e entendimento dos procedimentos, a cada encontro. Evidentemente, foram realizadas discussões sobre os exercícios práticos no primeiro, mas não de forma tão sistematizada quanto no segundo, em que havia um olhar muito mais cuidadoso em relação aos aspectos pedagógicos da investigação. Todos os pesquisadores apontavam detalhes que desejavam destacar e que eram registrados na planilha, servindo para que o próprio grupo tivesse consciência do percurso em realização. No final do processo, foi solicitado um breve relatório contendo impressões acerca dos resultados com base nos objetivos propostos.

Isso se deve a uma revisão do próprio percurso inicialmente traçado para a pesquisa, pois, do primeiro laboratório para o segundo houve um avanço da percepção da potencialidade pedagógica dos laboratórios. As reflexões engendradas pela primeira experiência influenciaram a própria estruturação da segunda.

2.6 – As reflexões: o memorial analítico

Paralelamente ao processo de planejamento, execução e análise dos laboratórios, conforme previsto, o domínio bibliográfico amadureceu. O rigoroso planejamento dos trabalhos – que abrigou o pressuposto de que a prática implicaria em ajustes – e de seu registro fez com que o material a analisado fosse organizado e alimentasse a elaboração de um Memorial analítico dos laboratórios. No processo de elaboração do memorial analítico, afloraram, por exemplo, questões que puderam dialogar com a própria investigação teórica do trabalho. Como a percepção que se teve, no primeiro laboratório, de que a interpretação melodramática não estava unicamente assentada em códigos não verossímeis, mas comporta determinado grau de interpretação considerada realista, baseada na “verdade cênica”.4

Cena de morte melodramática. Verdade cênica e exagero presentes na atuação. Melodrama da meia-noite, (Curso de Teatro, UFU, Uberlândia/MG), em 17/10/08. Ver nota 09. Em cena: Juliana Prados e Wesley Mello.

(Foto: Rebeca Maciel).

Cena de revelação. Verdade cênica e exagero presentes na atuação.

Melodrama da meia-noite, (Curso de Teatro, UFU, Uberlândia/MG), em 17/10/08. Ver nota 09. Em cena: Ronan Vaz, Welerson Freitas, Samuel Santana, Priscila Bello, Wesley Mello e Amanda Vieira.

(Foto: Rebeca Maciel).

Como as fontes que engendraram o Laboratório estavam ligadas à experiência melodramática dos circos-teatros, a compreensão desta medida de verdade cênica pelos atores tornou-se bem mais nítida após o contato com a gravação em áudio de uma apresentação da cena que estava sendo trabalhada (Três almas para Deus, de Aldny Faia, Circo Carlito, São Paulo, 1976). O áudio, ao evidenciar a entrega emocional e a capacidade dos atores de circo em emprestar fé cênica ao que estavam fazendo, serviu para estimular os atores do laboratório a se arriscar mais no universo melodramático. Para atingir tal estado, é impossível que se mantenha algum grau de crítica e desconfiança ao trabalho. O áudio ajudou, portanto, a diminuir essas barreiras trazidas inevitavelmente pelos atores e a fazer com que passassem a acreditar na possibilidade de atingir momentos de envolvimento do público nas partes sérias da história, mesmo com todo o estranhamento que a linguagem melodramática pudesse proporcionar. Tal visão, reforçada após esse exercício de audição da gravação da cena que estava sendo trabalhada, espelha o percurso que pode ser observável no próprio melodrama francês.5

Essa perspectiva, que se abriu a partir dos laboratórios, influenciou a própria proposta primeira de investigação do melodrama como linguagem cênica atual. É importante frisar que foram as discussões sobre os processos laboratoriais que fizeram aflorar uma questão extremamente significativa e que passou a nortear o olhar que movia a pesquisa: a possibilidade de utilização do melodrama como ferramenta pedagógica na formação do ator.